sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Série Trilhas Sonoras dos Games - Parte 1 - Braid



Assim como nos filmes, nos jogos as artes visuais vão de encontro à arte musical. E não só de barulho de bala, pulos e explosões vive um jogo, ele precisa de boas músicas e uma trilha bem produzida.

Nada melhor que uma boa trilha sonora para nos fazer imergir de forma plena na ambientação do game.

Com a ideia de discutir e apresentar, com uma pequena dose de nostalgia no caso dos jogos mais antigos, iniciaremos uma série com algumas das mais sensacionais trilhas sonoras do mundo dos jogos.

Braid

Para começar, escolhi uma trilha sonora que me fez ouvi-la diversas vezes sem estar jogando. Está certo que a trilha não foi construída para o game, são músicas de compositores normais, porém que foram escolhidas a dedo para compor a trilha.

O mais interessante é que Jonathan Blow, criador do jogo, escolheu as músicas de forma que elas ficassem bacanas mesmo se fossem executadas ao contrário. Sem virar mensagens preliminares como dizem que existem nas músicas da Xuxa. Isto é um pré-requisito curioso, porém se faz valer para um jogo onde o tempo é um do fatores principais. Ir e voltar no tempo acontece com um simples apertar de botão, e é claro a música segue a mesma lógica, voltando no tempo junto com o personagem.

Um jogo com tanta interação com sua trilha merece ser o primeiro da série.

As escolhas de Jonathan Blow não poderiam ser melhores, por meio do jogo tive o prazer de conhecer o trabalho de Shira Kammen, Jami Sieber, Cheryl Ann Fulton, Pam Swan e Jon Schatz.

As músicas do jogo são as seguintes:

"Maenam" de Jami Sieber
"Undercurrent" de Jami Sieber
"The Darkening Ground" de Jami Sieber
"Tell It by Heart" de Jami Sieber
"Long Past Gone" de Jami Sieber
"Downstream" de Shira Kammen
"Lullaby Set" de Shira Kammen and Swan
"Romanesca" de Cheryl Ann Fulton






Todas elas são possíveis ouvir e comprar direto do site do Magnatune, onde existe um álbum entitulado: "Music from Braid"

No jogo:

Logo ao iniciar o jogo antes mesmo de fade out da tela, ouvimos o início de Maenam, introduzindo todo o clima que o jogo remete, o violoncelo elétrico de Jame Sieber é praticamente tudo que ouvimos.




Desde o fundo, os dedilhados e solo que toma conta da música no final do primeiro minuto. Aliás, os graves melancólicos do violoncelo de Sieber dominam boa parte do jogo (com uma ou outra exceção), combinando perfeitamente com sua história.


Ao adentrarmos pela primeira porta, ouvimos a excelente Downstream de Shira Kammen, com belo violino e um arpegio de base.




De acordo com as mudanças de fases o ciclo de músicas continua em que logo surge Lullaby Set, com uma bela introdução de piano seguido por um solo fantástico de violoncelo.





Na sequência temos Romanesca, que deixa os violinos e violoncelos de lado e apresenta um bonito arpegio em harpa executado e composto por Cheryl Ann Fulton.





De volta ao violoncelo, temos Long Past Gone, cancão triste e introspectiva. A base é tocada diversas vezes em pizzicato (sem usar o arco, apenas tocando as cordas com dedo), com um solo de piano, violoncelo e trompete de forma bem lenta ao fundo.





The Darkening Ground, sempre aparece nas fases dos chefes para impor o tom de suspense e medo em que o tipo de fase necessita. Não empolga muito ao ouvir fora do jogo, porém cai muito bem para as fases onde ela aparece.




Quando começa Tell It By Heart, notamos a semelhança com Long Past Gone, pois utiliza a mesma base. Porém com um excelente solo de violoncelo, algo que a torna uma das melhores músicas do jogo.
Vale comentar que essa música foi composta originalmente para participar da trilha sonora de um documentário sobre Cancer de Mama entitulado "Climb Against the Odds" em 1999.




No ínicio do Mundo 4, as músicas da trilha sonora padrão dão lugar à duas canções de ninar famosas tocadas em caixa de música. Uma delas a clássica "Wiegenlied: Guten Abend, gute Nacht" de Johannes Brahms de 1868.





Este mundo tem uma mecânica peculiar. Quando o personagem está parado, esperando alguma ação do controle, tudo está estático, dos inimigos à própria música. Ao acionar o direcional para a direita, o tempo "anda" de forma normal. Já acionando para à esquerda, tudo volta no tempo. Então a música fica parando, voltando e indo pra frente, o que fica muito bacana com as canções de caixa de música. Com o decorrer das fases, a trilha sonora padrão volta, porém com a mesma mecânica.





O mundo 6 inicia com Undercurrent, com percussão marcante e solo de violoncelo no maior estilo dramático.
Neste mundo, existe um anel, e tudo que está perto dele, fica com movimento mais lento, e quanto mais longe, o tempo passa mais rápido. E por consequência a música também.





Além disso, essa música é a escolhida para a última fase, que não poderiam ter escolhido música melhor. Por dois motivos:
Primeiro: Ela entra no clima de corrida contra o tempo na luta contra o fogo e desespero para fugir da parede flamejante e salvar a princesa.
Segundo: Fica ótima rodando ao contrário. Um fato muito curioso, é que a música neste nível é tocada de modo reverso até boa parte da fase, e tudo isso tem um por quê. É uma sacada sensacional que não merece ser explicada e sim jogada e ouvida.




No geral, Braid se destaca pela arte. Seus cenários pintados ao melhor estilo Van Gogh, são belíssimos. Sua história, que aparenta a primeira vista ser um ser velho cliché, se mostra surpreendente. E finalmente a música, que é manipulada de forma jamais vista em um jogo não musical. Interagindo e trabalhando em conjunto com o tempo, para tornar a experiência do jogo, simplesmente, incrível.


Demais partes da série:

Quake II

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