sexta-feira, 7 de março de 2014

Como eu larguei a pirataria - Parte 3

Pirate's Map - Kristen Valenti - Licença


Este é o terceiro post na série sobre pirataria. Vc pode ver os posts anteriores aqui: post 1, post 2.



Software, em geral


Quando me refiro a "software em geral", falo de software de produção. Por exemplo: Windows, Word, Excel, Photoshop, Corel Draw, etc. Esse tipo de software obedece um padrão de raciocínio levemente diferente daquilo que foi demonstrado até agora. Para essas ferramentas, existe um esforço de embalagem, de mídia (ainda que menor do que no caso dos games), mas esse esforço normalmente é feito pela própria empresa que desenvolve o produto. Não há, portanto, o papel expressivo de um publisher.

Esse tipo de software entra numa categoria distinta dos games, por exemplo. As pessoas não compram esse software para se divertir em seu tempo livre, elas o compram para usar em seus trabalhos e ganhar dinheiro. O preço dessas ferramentas, então, é ditado por outros fatores. Primeiro, as companhias que desenvolvem o produto SABEM que esse software é de produção, e acham justo morder uma fatia do dinheiro que seus clientes ganharão, a título de "investimento" no preço do produto. Segundo, por estarem lidando com outras empresas e participando de seu processo produtivo, precisam oferecer um suporte técnico de qualidade mais alta do que os produtos voltados a usuários domésticos. A existência desses fatores é amparada pelo fato de que normalmente esse tipo de software tem versões "para usuários domésticos" e "para estudantes" a preços reduzidos.

Pessoalmente, posso afirmar que eu não conheço nenhum usuário doméstico que tenha uma cópia legítima do Adobe Photoshop. Posso também afirmar que conheço diversas empresas que também não o tem...

"... e não tem nada errado com isso, certo?"
Gangster - wamzlee - Licença

A pirataria neste segmento é motivada, primeiramente, pelo preço. Estamos falando de licenças que custam centenas, milhares de reais. Um segundo ponto é a percepção de valor. O consumidor comprou o seu notebook novinho, ele espera poder editar um texto pra um trabalho de escola, fazer uma planilha de orçamento doméstico, desenhar... Ele não espera ter que desembolsar mais algumas centenas de reais para fazer essas atividades aparentemente comuns. Para completar, há um fator que é parte cultural, parte mercado, que é o hábito. O consumidor está habituado a utilizar o Microsoft Word no trabalho para editar textos, sem nunca se perguntar qual o custo daquilo. Quando ele chega em casa, ele não quer aprender a usar outro editor, ele quer usar Word. Ele também quer copiar esses documentos para outros amigos que usam Word, e assim por diante.

Antes de discutir as alternativas à pirataria neste segmento, é necessário mencionar um ponto à parte, que são os sistemas operacionais. O mercado de computadores pessoais pende fortemente para os notebooks. Os notebooks normalmente vêm com sistema operacional pré-instalado. Via de regra é Windows nos PC's e OSX nos Macs, com raros modelos trazendo Linux de fábrica. Como o sistema é pré-instalado, a percepção de custo para o consumidor é zero. No entanto, os entusiastas de games no PC normalmente constroem sua máquina peça por peça, e não recebem um sistema operacional "embutido". Sendo que os Macs (e seus usuários) constituem uma base bem distinta dos consumidores normais de PC, restam duas alternativas: Windows ou Linux. O Windows é ferramenta paga (começando em mais ou menos 400 reais), mantida pela Microsoft e o Linux é gratuito, mantido por uma comunidade menos centralizada.

Este argumento não tem como objetivo alimentar a guerra de "Windows X Linux". A opinião a seguir é apenas minha e não reflete a opinião do Cogumelo Zumbi como um todo, nem dos demais editores. Isso posto: acredito que o Linux ainda não sirva para os usuários domésticos comuns, nem para os entusiastas de jogo (exclua-se o ambiente corporativo). As distribuições mais amigáveis de Linux ainda têm problemas de reconhecer os componentes do computador em que estão instaladas. Por vezes o computador fica sem suporte a alguma funcionalidade de som, vídeo, rede, e é necessária uma intervenção mais especializada. Outro ponto: só recentemente, com o surgimento do Steam para Linux, o sistema começou a se tornar mais amigável para quem joga. No presente momento, não sou capaz de apresentar uma solução de baixo custo que atenda ao mesmo público que o Windows.

Calma, não precisam se matar, é só uma opinião
DSC_0046_01 - Michael Mol - Licença

Ter Windows pirata costuma exigir um esforço consciente de manutenção do sistema. O usuário pode evitar totalmente as atualizações da Microsoft e ficar privado de uma série de melhorias de estabilidade e segurança. O usuário pode fazer as atualizações, correndo o risco de alguma delas quebrar o funcionamento do software pirata. E quando a Microsoft faz uma atualização maior (um Service Pack), o usuário acaba tendo mais dor de cabeça. Por acreditar em todos esses pontos, comprei o Windows 7 original em 2010, e venho utilizando versões originais do sistema desde então. É um custo salgado, disso não discordo, mas é o preço a se pagar por um enorme esforço de desenvolvimento de software e para evitar dores de cabeça.

Na maior parte, as demais ferramentas de produção possuem alternativas bastante eficientes e gratuitas. A natureza das entidades que fornecem essas ferramentas varia bastante. Existem grupos de hobbistas, que programam em seu tempo livre. Existem empresas que ganham dinheiro com suporte técnico a suas ferramentas. Existem empresas que ganham dinheiro com a publicidade associada à ferramenta. Existem empresas que fornecem a ferramenta em troca do direito de bisbilhotar o seu conteúdo.

Todas as alternativas apresentadas são multi-sistema (Windows, Linux, Mac). Todas elas operam de forma um pouco diferente de sua contraparte paga, e exigirão algum tipo de adaptação por parte do usuário.

Sobre algumas alternativas aos principais programas pirateados:

Suite Office (Word, Excel, Power Point)
- Google Drive: suite do Google, totalmente hospedada na nuvem e acessível via navegador. É surpreendentemente bom, mas dá ao Google o direito de bisbilhotar os seus documentos.
- Libre Office: derivado do antigo Open Office, é mantido pela The Document Foundation.

Edição de imagens (Adobe Photoshop)
- GIMP: à primeira vista, é mais simples e com menos funcionalidades do que o Photoshop. No entanto, pode ganhar incontáveis novas funções com a utilização de plugins. Atende desde um retoque numa foto de viagem até aplicações profissionais. Há uma discussão eterna no mercado sobre os benefícios de GIMP contra Photoshop.

Desenho vetorial (Corel Draw)
- InkScape: sua mecânica de desenho remete um pouco mais ao finado Adobe Flash do que ao Corel Draw.

Compactação / descompactação de arquivos (WinRAR, WinZip)
- 7Zip: é uma solução completa de compactação e descompactação de arquivos, e que suporta vários formatos. O 7zip inclui também seupróprio formato, .7z, comumente encontrado na internet. Anos atrás, tive experiências ruins (arquivos corrompidos) com o 7zip, mas hoje posso afirmar que está excelente.

Modelagem e animação em 3D (3D Studio, Maya)
- Blender: para os artistas de plantão! Blender substitui ferramentas caríssimas de animação, e já foi utilizado em projetos de grandes estúdios ao longo de sua existência.

A título de curiosidade: a atual logo do Cogumelo Zumbi, após muitos rabiscos no papel, foi vetorizada com Inkscape e pintada com GIMP.



Com a força do movimento de software livre, hoje é possível encontrar alternativas decentes a diversas ferramentas pagas. Acredito que, se o seu intuito é produzir e ganhar dinheiro, é mais do que justificável pagar a licença de uma ferramenta profissional, muitas vezes mais completa, com uma comunidade mais estabelecida, tutoriais, etc. Mas para uso doméstico, não há motivo para pagar uma fortuna ou dar muitas voltas para crackear o seu aplicativo favorito. Adotei esse pensamento há aproximadamente 4 anos e posso afirmar que funciona muito bem!


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