quarta-feira, 12 de março de 2014

[Review] The Swapper


Alô Nintendo! Peguem isso e façam um Metroid!


Ficha técnica



Gênero: Plataforma, Puzzle, Suspense.
Dev: Facepalm Games
Publisher: Facepalm Games Lançamento: 30 de Maio de 2013 (PC, Mac)
Semelhante a: Lost Vikings, Metroid, Deadlight, Flashback
Pontos positivos
+ História e ambientação sensacionais
+ Puzzles inteligentes
Pontos negativos
- Jogo curto
- Faltou um componente de ação


Ganhei The Swapper de presente de aniversário de um amigo, sem nem saber que o jogo existia. Ele disse "eu ainda não joguei, mas li umas reviews e parece ser muito bom". Joguei sem saber o que esperar, e me surpreendi muito!


História


Boa parte da graça de The Swapper é entender a história. Por isso, vou falar o mínimo para não estragar. O personagem principal é um astronauta que sobrevive a uma explosão em sua nave, foge em uma cápsula e cai na estação espacial Theseus. Essa estação fazia estudos nas rochas do planeta Chori V, em busca de recursos que pudessem ser aproveitados na Terra. A estação parece deserta e os diálogos do personagem acontecem com um grupo de resgate, que levará alguns dias para chegar. A premissa é bastante simples, mas a história que se desenrola a partir desse cenário comum é profundamente intrigante.


Mecânica


À primeira vista, The Swapper é um jogo de plataforma comum: você anda, você pula. A estação Theseus é um ambiente grande com várias salas interligadas. Há um mapa que vai sendo preenchido conforme o personagem explora. Diversas áreas estão inacessíveis, e para destravá-las é necessário coletar quantidades específicas de orbs (esferas) no interior da estação. Até este ponto é bastante semelhante a Metroid, pois o jogo exige que você explore o mapa e volte a lugares por onde já passou para acessar novas áreas. Algumas diferenças, no entanto: o personagem morre se cair de muito alto e não há nenhum inimigo para se atirar. Na verdade, não há nem mesmo uma arma.

Ainda no início do jogo, o personagem encontra uma ferramenta de clonagem, o "Swapper Device". Você controla essa ferramenta com o mouse, fazendo a mira nos pontos onde o personagem consegue enxergar. Clicando o botão esquerdo, o personagem faz um clone de si mesmo. Clicando o botão direito, o controle é transferido para qualquer um dos clones (novamente, desde que o personagem consiga o enxergar). Os clones que não estão sendo controlados diretamente obedecem ao mesmo movimento do personagem principal. Caso você tocar num clone, ele desaparece. Se o clone morrer, outro pode ser criado, respeitando o limite de no máximo três clones simultaneamente. Essa ferramenta cria uma profundidade adicional à mecânica tradicional de plataforma.

Os orbs que devem ser coletados estão em diversas salas espalhadas pelo mapa. No entanto, para obtê-los, é necessário resolver o enigma daquela sala, utilizando a ferramenta de clonagem. Os enigmas envolvem atravessar abismos, fazer com que os seus clones pressionem vários botões, etc. A mecânica toda é absolutamente simples e a diversão do jogo está toda no design desses puzzles (que é ótimo), na ambientação e no desenrolar da história.


Ambientação


The Swapper faz com que você se sinta numa estação espacial isolada, e com muito sucesso. O jogo é todo em 2d, com um gráfico bem desenhado. O personagem sempre aponta sua lanterna na direção do cursor do mouse, e o ambiente se ilumina de acordo. As demais luzes do ambiente são suaves e difusas, fazendo parecer de fato que a estação foi abandonada e que a iluminação só funciona parcialmente.

O som apoia fortemente a sensação de isolamento. A trilha sonora é boa, mas é apenas pontual. Em boa parte do tempo, há apenas os ruídos do ambiente. Os passos do personagem, o barulho do traje espacial, ruídos de motor, goteiras, ecos. Tudo para reforçar que você está andando por grandes salões abandonados. Em algumas ocasiões, conversas de rádio interrompem o silêncio, e com boas atuações. São essas conversas e algumas mensagens na nave que revelam o mistério aos poucos.

A ambientação final é maior que a soma das partes. Jogando no escuro, com fones de ouvido, pude me envolver de fato na atmosfera do jogo. Por vezes, após desligar o computador, ficava alguns minutos imaginando a situação em que se encontrava o personagem e qual teria sido o destino dos tripulantes da Theseus. Parte da história também é contada por registros nos computadores da nave e outras coisas que, se contadas aqui, estragariam as surpresas. Essa estrutura simplificada de narrativa faz com que a história seja contada não em milhões de partículas e explosões, mas dentro da sua cabeça. O resultado é que o jogador se envolve em um nível mais profundo com a história. Isso é um feito maior do que se pode afirmar dos produtos de mídia (filmes, jogos, etc) em média.


Fator de impacto


Um pouco sobre os pontos negativos do jogo: primeiro de tudo, ele é curto. 4 horas foram suficientes para terminar a missão e ainda conferir o final alternativo. A história é bem elaborada e bastante profunda. Expandir a história ou os puzzles para fazer um jogo maior poderia ter sido um risco da parte do desenvolvedor, mas o jogo ficou com um gosto de "quero mais".

Outro ponto: o conceito de "estação espacial abandonada com um grande mistério" me remeteu imediatamente aos jogos Metroid Fusion e Metroid: Other M (este último foi alvo pesado das críticas, mas eu gostei :) ). Me fez pensar que, se a Nintendo quisesse fazer um Metroid moderno, ainda em 2d, este seria um excelente ponto de partida. E talvez por isso eu tenha sentido falta de um pouco de ação, uma tensão adicional ao clima do jogo. Fãs de jogos de ação não encontrarão nada de bom aqui: na hora de encarar The Swapper simplesmente como um jogo, é um jogo de raciocínio.

The Swapper faz o jogador pensar, mas não só para resolver os puzzles. Essas premissas simples que constroem o conceito são discutidas pelo próprio jogo em um nível mais profundo. Por exemplo, o Swapper Device: o dispositivo é abusado durante todo o jogo. Está despencando de um penhasco? Crie um clone em um lugar seguro e transfira sua consciência para ele! Mas o que são esses clones sem vontade própria? Como pode a consciência pular de um para outro? O que acontece com as centenas de clones que morrem durante o jogo? São perguntas abordadas pela história de forma muito criativa. Diversos outros questionamentos são levantados com base nos demais elementos da história, incluindo as motivações do seu próprio personagem. Fiquei sinceramente impressionado ao ver tamanha profundidade atribuída a um jogo de plataforma, gênero notoriamente ligado a experiências rápidas e superficiais.


Por fim, os puzzles puxam forte pelo seu raciocínio. Inicialmente são enigmas triviais, que servem para te ensinar a mecânica básica. Depois vão ficando mais complexos, mas não impossíveis. Ao final do jogo existem três ou quatro enigmas que demandam tempo e raciocínio complexo. Confesso que para um deles tive que procurar a solução no youtube...

Clima genuinamente envolvente, história "de gente grande" e puzzles desafiadores fazem de The Swapper um ótimo jogo! Estou curioso para saber que tipo de coisa a Facepalm fará depois.

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