quarta-feira, 2 de abril de 2014

[Review] Hearthstone: Heroes of Warcraft


Duelos épicos se escondem por detrás das cartas!




Ficha técnica



Gênero: Jogo de cartas, tabuleiro.
Dev: Blizzard Entertainment
Publisher: Blizzard Entertainment 
Lançamento: 11 de Março de 2014 (PC, Mac)
Semelhante a: Magic: The Gathering
Pontos positivos
+ Mecânica simples, mas profunda
+ Experiência bem adaptada de jogos de cartas
Pontos negativos
- Agrada a um público específico
Falta uma mecânica para troca de cartas


Hearthstone é a nova jóia da Blizzard e uma sólida entrada no mercado free-to-play (ou freemium). Invocando o universo de Warcraft e uma mecânica muito similar a Magic: The Gathering, é uma conversão excelente dos conceitos de card game para o formato digital.


História



Não se pode exigir uma história de Hearthstone assim como não se poderia exigir uma história de Truco ou Canastra. Dito isso, o jogo traz na bagagem a mitologia da série Warcraft. Cada jogador entra na partida com a identidade de um herói da série, como Jaina Proudmore ou Uther Lightbringer. Cada carta é um monstro, soldado, artefato, devidamente respeitando os conceitos da franquia. Mas não há muito além disso. Não é uma saga lendária para salvar o mundo, apenas um jogo de cartas entre amigos.

Mecânica




A fórmula é bastante simples, mas as possibilidades são diversas. Cada jogador escolhe um herói e monta seu deck de cartas, tanto neutras quanto específicas daquele herói. O tabuleiro os jogadores em lados opostos, cada um começando com 30 pontos de vida. O objetivo principal é tirar todos os pontos de vida do seu oponente, usando cartas de unidades (soldados, monstros) e de habilidades.

Cada jogador também tem um número de pontos de mana, que aumenta a cada rodada. Usar uma carta normalmente custa um número de pontos de mana, e quanto mais "forte" a carta, maior o custo. A cada rodada, o jogador pega uma nova carta aleatória do seu deck e pode usar tantas cartas de sua mão quanto o estoque de mana permitir. As unidades que o jogador tem no tabuleiro podem atacar tanto outras unidades quanto o próprio oponente. Esses guerreiros têm seus próprios atributos: pontos de ataque, de vida e algumas peculiaridades que mudam o seu comportamento. Já as cartas de habilidade afetam o jogo de diversas maneiras, causando dano, curando, mudando atributos de uma unidade, etc.

Os heróis, que representam os jogadores, invocam diferentes formas de se jogar. Há um herói focado em cura, outro em magias, outro em ter várias unidades de uma só vez, e assim por diante. Essa característica não é limitadora, pois o jogador pode customizar totalmente seu deck para algum propósito específico.




Falando nisso, Hearthstone é também um meta-jogo, que replica a experiência de se colecionar cards físicos. Um dos menus mostra a sua coleção, com todas as cartas adquiridas ao longo do tempo. Lá é possível construir decks para jogar. A construção do deck é uma habilidade tão importante quanto jogar as cartas efetivamente numa partida. Decks com cartas predominantemente mais "baratas" (menor custo de mana) fazem com que o jogador tenha uma vantagem no início da partida. Já decks com cartas mais caras são devastadores, desde que o jogador sobreviva até o momento certo.

Novas cartas podem ser adquiridas na progressão do jogo, aumentando o nível dos heróis. Mas elas também podem ser compradas, tanto com dinheiro do jogo (que se ganha cumprindo missões e derrotando oponentes) quanto com dinheiro de verdade. E imitando a experiência real, o que se compra é um pacote de cinco cartas, sendo que pelo menos uma é rara. Isso dá ao jogador mais flexibilidade e cria possibilidades ilimitadas de partidas.



Fica faltando aqui algum tipo de mecânica para que os jogadores possam trocar cartas entre si, talvez aos moldes do que é feito com itens nos MMO's, ou com as cartas colecionáveis do Steam. Há um sistema de crafting no jogo, que possibilita eliminar cartas repetidas ou indesejadas para fazer novas cartas. Esse processo, no entanto requer um número grande de cartas para serem convertidas em uma nova. O processo também não substitui a experiência de se encontrar uma carta raríssima num pacote e poder vendê-la ou trocá-la por outras.

A "cereja no bolo" deverá vir mais pro final deste ano, quando a Blizzard deve lançar a versão mobile de Hearthstone, para Android e IOS. A intenção é que as partidas sejam multi-plataforma. O formato e a simplicidade do jogo são muito adequados para que se possa jogar num intervalo ou no ônibus.

Ambientação



A arte é enxuta. Os heróis, unidades e habilidades são representados por desenhos 2D. Eles são bem feitos, mas nada tão glorioso quanto nas cartas de Magic, por exemplo. Embora você possa invocar um Core Hound, escorrendo lava por entre os dentes, ele nunca parecerá imponente e ameaçador, exceto pelos números na tela. É uma decisão de design com pontos altos e baixos, e que traz a ambientação mais pra perto da experiência de um jogo de mesa do que de uma aventura épica.

O tabuleiro mostra uma discreta paisagem de cada raça da série, mas nada muito memorável. Essas paisagens ocultam um grau de capricho. Por exemplo, em uma das paisagens há uma catapulta. Enquanto seu oponente joga, você pode clicar numa pedra, clicar na catapulta e ela atira. Não tem nenhum propósito prático, mas é um grau a mais de produção.

O áudio também é simples, mas interessante. Cada herói tem diversas falas, embora elas se repitam con frequência. As unidades e habilidades também têm sons tirados da série, o que traz uma experiência mais rica. Um toque muito interessante é que, enquanto o jogo procura um oponente, tocam músicas dos Warcraft antigos (do século passado!) com um efeito que faz parecer um rádio velho. É um pequeno charme, mas que me arrancou um sorriso sincero. A música do jogo tem um ar medieval-fantasia já conhecido, e é boa ainda que um pouco repetitiva.

Um destaque merece ser feito para a dublagem e localização em português do Brasil. Algo raro na indústria dos games é a dublagem de jogos. Mais raro ainda quando a dublagem é boa e vale a pena, e HearthStone é um desses casos. A Blizzard merece ser celebrada por ter lembrado do Brasil, e ter feito essa ótima localização para um jogo "free". Outros jogos mais importantes da mesma empresa não tem um trabalho tão bom. Há apenas dois pontos negativos de se jogar a versão dublada em português brasileiro: Perder a oportunidade de praticar o inglês e perder a sempre excelente dublagem original. Eventualmente você poderá enjoar de ouvir "Você tem certeza ?" pela milésima vez, talvez essa seja a hora de alterar o idioma da dublagem ou simplesmente deixar no mute.

Opinião




Hearthstone é um jogo muito divertido, mas não é para todos os públicos. É uma experiência bastante distante de World of Warcraft ou da série de jogos de estratégia. Não há um mundo envolvente, com paisagens de encher os olhos e batalhas épicas. O que há são cartas e regras, e as habilidades de cada jogador de explorar esse conceito. Hearthstone é um jogo, da mesma forma que War ou Catan o são. E no primeiro impacto, é isso que vai dividir o público.

Já abundam as comparações com Magic: The Gathering. São duas experiências diferentes. Magic é um jogo mais complexo e minucioso, com decks maiores e partidas mais longas. Já é estabelecido no mercado há muito tempo, e conta com uma infinidade de cartas e possibilidades de regras. Hearthsone é uma experiência mais enxuta e imediata, com regras mais enxutas. A barreira de entrada é menor, facilitando a vida dos iniciantes, mas recompensando a habilidade refinada dos veteranos.

Aqueles que encararem a simplicidade de Hearthstone encontrarão um jogo excelente e divertido. Pelo preço de ZERO reais e com uma produção muito boa, o jogo merece ao menos ser experimentado. As partidas são rápidas, fluídas, e as regras podem ser aprendidas rapidamente. Só o que atrapalha é quando você já está há duas horas no pc pensando "só mais uma partida e eu já vou dormir".

Postagens Relacionadas



Comentários

Nenhum comentário:

Postar um comentário