quarta-feira, 9 de abril de 2014

[Review] The Walking Dead Season 1

O jogo do ano em 2012!


Ficha técnica



Gênero: Point & Click Adventure, Suspense.
Dev: Telltale Games
Publisher: Telltale Games 
Lançamento:
- Abril de 2012 (PC, Mac, PS3, Xbox360)
- Julho de 2012 (IOS)
Semelhante a: Full Throttle, The Dig, Day of the Tentacle
Pontos positivos
+ História envolvente
+ Ótima atuação de voz
Pontos negativos
- Mecânica simples e linear
- Animações pouco naturais


Não é justo dizer que The Walking Dead pegou carona nos quadrinhos ou na série. Apesar da inspiração na obra de Robert Kirkman, o jogo se sustenta por seu próprio mérito. Merece estar na lista de qualquer um que procure uma experiência diferente.



História



O primeiro e mais importante ponto sobre a história: este jogo se situa no mesmo universo dos quadrinhos, mas os eventos e a narrativa são completamente distintos (salvo por uma ou outra participação especial). Então você pode jogar tranquilo, não haverão spoilers de forma alguma.

Com este ponto fora do caminho, é difícil ser específico sobre a história de The Walking Dead sem estragar as surpresas. Ela se passa em um mundo muito semelhante ao nosso, mas que recentemente tem sido vítima de um ataque zumbi em grande escala. Lee, o personagem principal, foi recém condenado por um crime. No entanto, no caminho para a prisão, ocorre um acidente e ele tem seu primeiro confronto com os mortos-vivos. Pouco depois ele conhece Clementine, uma garotinha que ficou presa em sua casa durante o ataque.

Reduzir The Walking Dead a "um jogo de zumbi" ou a "uma história de zumbi" é um erro grave, e que privará o jogador de uma experiência excelente. Os zumbis estão lá, eles são o motivo pelo fim da civilização como conhecemos, mas a história não trata exatamente disso. Ela trata justamente de como a civilização foi modificada. Sobre como as relações entre as pessoas se tornaram incertas. Sobre como a sobrevivência dessas pessoas se tornou delicada em face ao perigo constante e escassez de recursos. É também sobre a relação entre Lee e Clementine, e os demais personagens à sua volta. Portanto, quem chegou aqui procurando um jogo de zumbi para confrontar as hordas dos mortos-vivos com rifles e granadas... está no lugar errado. E essa pessoa devia jogar Left 4 Dead ou Dead Island, que são excelentes por outros motivos.


The Walking Dead se apoia 100% na narrativa, até porque sua mecânica é bem simples. Os personagens são bastante complexos e realistas. Por exemplo: quando todas as regras da sociedade são quebradas, o passado de Lee e sua condenação deixam de ser relevantes. No entanto, quando outros personagens descobrem sobre isso, eles começam a desconfiar de Lee e tratá-lo de forma diferente.

Outro fator diferencial na narrativa de The Walking Dead são as decisões. Frequentemente os diálogos exigem a escolha de uma resposta. Em outras ocasiões, o jogo pode exigir decisões difíceis em situações extremas (e dar um exemplo seria um spoiler). Essas decisões afetam o futuro, modificam diálogos e fazem os personagens passarem por situações distintas. As variações não são tão dramáticas (quanto seriam, por exemplo, em Fallout 3) a ponto de despertar uma curiosidade por jogar de novo e ver outra ramificação. Mesmo assim, elas trazem um senso pesado de responsabilidade do jogador sobre a vida daqueles personagens.


Mecânica



The Walking Dead é um jogo no estilo "point & click adventure". Esse estilo esteve em alta nos anos 90, com destaque a pérolas como Full Throttle ou Monkey Island. A mecânica fundamental é: movimentar o personagem pelo cenário; clicar nos objetos para interagir; clicar nos diálogos para escolher respostas.

Os clássicos do gênero envolviam enigmas muito elaborados, por vezes até absurdos (Monkey Island, estou olhando para você). Já os enigmas de The Walking Dead são bastante simples, e servem mais para contextualizar o jogador e amparar a narrativa do que para desafiar o pensamento.

O jogo foi lançado em cinco episódios curtos, como seria uma série de TV. Cada episódio dura duas a três horas e as decisões tomadas no episódio anterior influenciam os fatos do próximo. Em uma sacada interessante da Telltale, ao final de cada episódio são exibidas as suas decisões em comparação com as decisões do restante dos gamers do planeta. É um detalhe simples, mas que dá uma sensação de conexão. Por exemplo, você pode descobrir que em um mundo onde 80% das pessoas salvariam o personagem tal, você aflorou seu lado psicopata e deixou-o morrer.


The Walking Dead foi lançado para diversas plataformas, passando por PC, IOS, PS3, até Kindle Fire e Ouya. Você pode escolher aquela que achar mais conveniente, mas normalmente será cobrado por episódio. Nota-se a falta de uma versão para Android. Vale mencionar que constantemente há promoções no Steam por preços muito atraentes.


Ambientação


Os gráficos são 3d cell-shaded, o que confere uma aparência de história em quadrinhos bastante adequada. Essa decisão pode ter sido tomada para garantir que o jogo pudesse ser portado para diversas plataformas, e de fato foi. A maioria dos cenários são simples, com um volume de detalhes, mas nada exagerado. A movimentação dos personagens não é completamente natural. O resultado é que a ambientação é boa, mas nada que choque ou encha os olhos.

A sonorização é muito boa, desde a atuação convincente na dublagem até os ruídos ambientes. Mesmo o barulho de moscas no menu principal está no lugar certo. A trilha sonora é bem feita e varia do melancólico ao desesperador, sempre nos momentos certos.

Ainda sobre a trilha, destaque especial à música que toca no final do capítulo 5. Após uma infinidade de catástrofes e decisões difíceis, o jogador é brindado com "Take Us Back" da cantora Alela Diane. A música cria o clima perfeito para olhar os créditos enquanto se pensa na vida. Fica a recomendação para todo o trabalho da cantora.


As respostas de diálogo e diversas das decisões são acompanhadas de um medidor de tempo que vai se esgotando. Isso serve para conectar o jogador firmemente à história, no sentido em que ele teria que responder a uma pergunta na mesma velocidade que responderia na vida real. Por consequência, sempre fica a sensação de "será que eu fiz a coisa certa?", "será que eu vou ter problemas se responder isso?".

O suspense está presente na maior parte do tempo. Existem alguns sustos baratos, mas eles são bem posicionados. A sensação de pânico é legítima, quando se está fugindo da horda, ou cercado em algum espaço fechado com os zumbis gemendo em volta.


Opinião


The Walking Dead é o primeiro point & click que joguei "com gosto" desde Full Throttle (1995). No meio do caminho, experimentei vários, mas todos enjoaram rápido. Ou tinham uma história fraca, ou eram complicados demais. Pode-se afirmar que The Walking Dead é linear demais, mas neste caso isso joga a seu favor. Esta é uma obra totalmente ancorada na história, e é uma história excelente.

Alguns pontos jogam contra a experiência. Já foi mencionada a movimentação dos personagens. Talvez os gráficos sejam simples demais, e o jogo poderia se beneficiar de um visual mais realista. O sistema de save, que só funciona automaticamente e em pontos específicos às vezes obriga o jogador desatento a repetir alguns minutos de jogo. Mas essas são observações pontuais e que não estragam o pacote.

Para mim, The Walking Dead é o jogo do ano de 2012. É um grande feito, pois esse "título" compete com Borderlands 2, Portal 2, Journey, Far Cry 3, entre outros. E The Walking Dead consegue o feito mexendo com as emoções do jogador. Você não está aniquilando milhares de monstros com suas armas e magias. Você tem a sensação de estar participando da vida daquelas pessoas em um nível muito profundo. Você sente quando alguém morre de forma banal, se desespera quando precisa tomar uma decisão vital em poucos segundos, você participa das intrigas e sabe que precisa fazer alguns inimigos para garantir aquilo que considera correto.


Talvez seja exagero, mas experimentar The Walking Dead do começo ao fim faz com que você saia um pouco diferente do que chegou. O mesmo pode ser dito de Journey, mas o enredo desse último é propositalmente minimalista. O ponto principal é que The Walking Dead é um jogo muito simples, mas que esconde uma experiência raríssima no mundo dos games.

E a segunda temporada já está à venda, e no segundo episódio!

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