quinta-feira, 3 de julho de 2014

Jaina Vs Thrall - Unindo Os Gêneros Nos E-Sports


Notícia de ontem no Kotaku expõe a controvérsia de um torneio mundial de Hearthstone que está proibindo a participação de mulheres.

A história começa com a International eSports Federation (IeSF), sediada na Coréia do Sul. A organização já tem tradição em organizar diversos torneios, de diferentes games, no país que é a superpotência mundial de "esportes eletrônicos". A federação já vem separando seus torneios por gênero há mais de um ano. Segundo seu próprio site, isso acontece para atender a regulamentações de autoridades internacionais de esportes (estes não necessariamente eletrônicos).

A polêmica recente foi movimentada por um post no Reddit (que vem se provando uma inesgotável fonte de polêmica) que descreve um evento classificatório na Finlândia. No post, é possível observar que haverão disputas de diferentes jogos, separadas por gênero, e que não haverá uma classificação feminina de Hearthstone (jogo sensacional, review aqui). Este evento é organizado pela Assembly finlandesa. Segue uma tradução de parte do post:

Os jogos listados deste ano são: 
Competição masculina:
DotA 2 - Valve Corporation
StarCraft 2 - Blizzard Entertainment
Hearthstone - Blizzard Entertainment
Ultra Street Fighter IV - Capcom
 
Competição feminina:
StarCraft 2 - Blizzard Entertainment
Tekken Tag Tournament 2 - Namco Limited


Ambas as organizações se manifestaram sobre o assunto, mas este permanece mal explicado. A Assembly se defende dizendo que haveria um potencial conflito em organizar uma classificação para ambos os gêneros sendo que o evento principal, da IeSF, é orientado a competidores masculinos. Já a IeSF destaca que organiza competições dedicadas ao público feminino e que a decisão de dividir os gêneros tem raízes nos esportes convencionais, citando: "por exemplo, xadrez também é dividido em ligas masculina e feminina".

Em ambos os casos, os argumentos parecem fracos e incompletos. O fato de haver divisão em esportes convencionais, por si só, não reflete uma postura igualitária. Há argumentos culturais relacionados a força física e à brutalidade nos esportes de contato, e mesmo esses são mal fundamentados. Ignorando esses tais argumentos, por exemplo, não há motivo algum para distinguir homens e mulheres em esportes que envolvem  esforço mental e proeza técnica. Poderíamos facilmente ter, nas olimpíadas, uma única medalha de ouro para xadrez ou arco e flecha, sem fazer qualquer distinção dos participantes.

Esse enfoque é ainda mais evidente nos eSports. Em se tratando de jogos online, não importa o quanto um homem seja estereotipicamente "macho" (o que já é uma definição anacrônica), nada o impede de sofrer uma derrota miserável para qualquer mulher do outro lado do planeta. E dado o nível de bizarrice aceitável nos nicknames adotados pelos jogadores, ele pode fazê-lo sem nem ao menos saber que estava jogando contra alguém do sexo oposto. O oposto poderia acontecer exatamente com a mesma facilidade, pois seria apenas uma função das habilidades dos competidores.

A internet está fervendo com manifestações, algumas mais construtivas outras menos. Um usuário do Kotaku comentou:

"Xadrez tem uma liga feminina separada para encorajar as mulheres a participarem em um esporte predominantemente masculino. Elas podem competir contra os homens, e a melhor jogadora de xadrez nunca competiu no campeonato feminino."
Uma nova notícia, da manhã de hoje, indica que a IeSF abriu os eventos que antes eram masculinos para ambos os gêneros, mas não eliminou a competição feminina. Ou seja, no momento, há duas competições: "aberto a todos" e "feminino". De acordo com a IeSF:
"As competições exclusivamente femininas da IeSF visam trazer mais diversidade aos jogos competitivos, ao aumentar a representação feminina nesses eventos. Sem esforços para melhorar a representação, os eSports não podem alcançar uma verdadeira igualdade de gêneros."
Esta decisão ainda parece confusa, mas pode ser um primeiro passo na direção correta.

Tanto jogadores quanto organizações aparentam estar cientes de que os eSports não precisam se comportar como os esportes tradicionais. Esse tipo de competição, que nunca foi levada a sério como esporte, tem potencial para fazer surgir uma nova postura, que valorize os competidores por suas habilidades, e não por seus estereótipos.

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