quarta-feira, 20 de agosto de 2014

[Review] Contatos de Quarto Grau



Suspense na medida certa


Raros são os filmes que me deixam "com a pulga atrás da orelha", aquele leve desconforto de levantar do sofá e andar no escuro até o banheiro. Contatos de Quarto Grau (EUA, 2009, "The Fourth Kind") é uma dessas pérolas.

Ficha técnica


Título Original: The Fourth Kind
País: EUA
Ano: 2009
Diretor: Olatunde Osunsanmi
Roteirista: Olatunde Osunsanmi, Terry Lee Robbins

Elenco: Milla Jovovich, Elias Koteas, Hakeem Kae-Kazim
Pontos positivos
+ Legitimamente assustador
+ Bom ritmo no desenrolar da história
Pontos negativos

- Não atende aos espectadores mais céticos

Enredo

"O Quarto Grau" se refere à escala de contatos imediatos com extraterrestres, expandida pelo Doutor J. Allen Hynek. De acordo com a escala, o quarto grau é descrito por uma abdução. O filme se passa na pequena cidade de Nome, no Alasca e conta a história de uma psicóloga, Dra. Abigail Tyler (Milla Jovovich). Abigail perdeu seu marido, também psicólogo, em um estranho incidente.


A história acontece principalmente durante sessões de terapia, em que os pacientes da doutora relatam experiências confusas. São exploradas também as relações de Abigail com seus filhos e com alguns moradores da cidade. Sem estragar as surpresas, basta dizer que as evidências apontam aos poucos para contatos com seres estranhos, e que a tensão do filme cresce de forma muito bem orquestrada.

Produção

O grande truque empregado em Contatos é que logo no começo é revelado que a atriz Mila Jovovich interpreta uma pessoa da vida real, que é a Dra. Tyler. Embora a maior parte da história consista de filmagem "padrão Hollywood", as tomadas se alternam ocasionalmente entre filmagens e gravações caseiras, feitas pela Dra. Tyler no decorrer de suas sessões. As interposições de cenas são muito bem feitas, e em alguns momentos há combinações de vários ângulos, misturando imagens "produzidas" e "reais". Apesar de tocar em temas de ficção científica, não há muitos efeitos especiais, mantendo a produção menos extravagante. A atuação de Mila Jovovich é boa, mas a atriz continua fortemente marcada pela personagem Alice, da série Resident Evil.


A trilha sonora também é bastante competente e pouco invasiva. Esse é um ponto positivo, pois os pontos mais fortes do filme são justamente os diálogos entre a Dra Tyler e seus pacientes, juntamente com as gravações reais que se intercalam.

Opinião

Contatos de Quarto Grau se vende como um filme de alienígenas, mas não é uma ficção alegórica com naves espaciais cruzando a galáxia e seres bizarros com vários olhos. Os extraterrestres são apenas um mecanismo para se contar uma boa história de suspense. O filme se desenrola muito bem, revelando partes de um mistério de forma bem compassada. Há momentos chave que constroem a tensão e assustam, e esses se apresentam em um ritmo muito bom.
"Assustar" é também um ponto crítico. Há apenas dois ou três sustos baratos, daqueles que pegam o espectador sem defesa com violinos estridentes. O horror é construído de forma sutil e inteligente, sem esfregar nada na sua cara, usando bastante a ambientação e a imaginação. Há momentos interessantes que criam desconforto utilizando apenas gravações de voz de baixa qualidade.
Acho difícil encontrar um filme genuinamente assustador, talvez o cinema tenha me deixado insensível com o passar do tempo. Mas o desconforto criado por Contatos de Quarto Grau é genuíno. Merece ser assistido no escuro, com um bom equipamento de som, e de preferência sozinho.

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