quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Microsoft comprou Mojang. O que foi isso?


Dois bilhões e meio de dólares. É provavelmente mais dinheiro do que qualquer um de nós vai ver em toda a vida. Agora que a notícia já se assentou em nossas cabeças, e que o Minecraft virou MS Minecraft, fica a pergunta: o que foi isso?


Minecraft foi um emblema da revolução dos estúdios independentes na indústria de games. O jogo começou a dar as caras em 2009, ainda muito cru e cheio de bugs. O interesse do público cresceu de forma acentuada quando ainda estava em alpha. Neste período, em que o produto ainda era bastante instável, as licenças já eram vendidas pela própria Mojang. Com o passar do tempo, Minecraft foi ficando mais refinado e atraindo cada vez mais atenção (e dinheiro). Em 2011 foi finalmente lançada a versão 1.0 do jogo, que segue recebendo atualizações e novas funcionalidades. Também em 2011, o criador Markus Persson (ou "Notch") anunciou que não participaria mais do design do jogo, para poder se dedicar a outros projetos.

Minecraft tem um público fanático, que participa de grandes convenções anuais, discute as melhores formas de se fazer calculadoras e microprocessadores com as ferramentas do jogo, cria réplicas em escala da nave Enterprise, entre outros feitos. Uma licença para PC custa hoje 30 dólares e o jogo nunca figurou no Steam. Todas as suas vendas foram conduzidas pela própria Mojang, que começou com as próprias pernas, sem qualquer apoio dos gigantes da indústria. Na edição deste artigo, já foram vendidas mais de 16 milhões de cópias de Minecraft, apenas para a plataforma PC.

Em seus blogs pessoais, os fundadores da Mojang já admitiram que se desligarão da empresa e não participarão da "era Microsoft". Em seu site, Notch afirma que "faz jogos porque é divertido", que o público faz uma imagem distorcida da sua pessoa, e que não deseja toda a exposição que tem hoje.

É inegável o status histórico da Mojang para a indústria como um todo, mas ainda não está bem claro qual é a intenção da Microsoft nesta empreitada. Explico:

  • Minecraft foi um dos expoentes da onda indie, mas hoje é mais "uma brincadeira divertida" do que "algo que vai explodir sua mente". Ele veio, fez sua marca, e já pode ser encarado como um "clássico".
  • As mentes que conceberam este clássico abandonarão a empreitada tão logo seja concluída a transição.
  • Os demais projetos de Notch e da Mojang são interessantes, mas dificilmente terão o mesmo apelo revolucionário.

Há alguma especulação de que a Microsoft deseje criar alguma fidelização entre Minecraft e a plataforma XBox. É plausível, mas dificilmente justifica 2.5 bilhões de dólares. Uma idéia mais interessante, é que a Microsoft alie sua experiência (e sua carteira gorda) às habilidades de game design da Mojang (de novo, sem os fundadores) para fazer algum tipo de "Minecraft 2", exclusivo para XBox. Esta idéia me agrada bastante, pois Minecraft é um game cujas possibilidades são um pouco limitadas pelas tecnologias adotadas em seu desenvolvimento.


A Microsoft também poderá aproveitar o carisma de Minecraft para associar à sua plataforma, da mesma forma que faz com Halo, ou da mesma forma que a Nintendo faz com Mario. A aquisição prejudica muito a imagem da marca junto aos fãs mais fervorosos, que já inundam a internet com seu ódio implacável. No entanto, a grande massa dos entusiastas, de todas as faixas etárias, se manteria fiel, contanto que a Microsoft não fizesse alguma besteira muito grande.

A aquisição deixa algumas marcas interessantes no mercado:

  • A Mojang fica diferente, sujeita aos caprichos de uma corporação colossal e consolidada. Pode ser que ainda vejamos um Minecraft diferente, talvez com microtransações.
  • A Microsoft tem no bolso mais uma subsidiária lendária (como a Rare, que fez verdadeiras pérolas na época em que tinha parceria com a Nintendo). Sim, a empresa fica com 2.5 bilhões de dólares a menos em caixa, mas esse dinheiro já saiu de um cofre infinito mesmo.
  • Notch entra para um clube de game designers lendários, como Peter Molyneux ou Shigeru Miyamoto. Mesmo que ele trabalhe com projetos pequenos e conceituais, terá por muito tempo a atenção da mídia e dos fãs.

A aquisição pegou muita gente de surpresa, e as possibilidades ainda são bastante nebulosas. É seguro assumir que os efeitos só serão sentidos daqui a vários meses. Mas sério... 2.5 bilhões de dólares...

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