quinta-feira, 18 de setembro de 2014

[Review] Cardcast



Somos todos pessoas horríveis!

Sabe quando seu amigo diz uma besteira totalmente sem sentido e aí todo mundo ri até o maxilar doer? Então...

Ficha técnica



Gênero: Party game, jogo de cartas
Dev: Cardcast, LLC
Publisher: Cardcast, LLC
Lançamento: Julho de 2014 (Android), 
Pontos positivos
+ Hilário e divertido
+ Até 10 jogadores
Pontos negativos
- Exige Chromecast
- Conexão instável



História

Cardcast é um "party game", ou "jogo para festas". Não há uma história, apenas um monte de cartas e pessoas com mentes perturbadas. Então, ao invés de um enredo, vejamos um pouco o contexto que o cerca.

Cardcast é uma versão mobile do jogo Cards Against Humanity (CAH). Este, por sua vez, se auto entitula como "um jogo de festas para pessoas horríveis". Em sua versão física, pode ser comprado nos Estados Unidos, em caixinhas com cartas impressas. Mas CAH foi licenciado como creative commons (direitos autorais compartilhados), e o site oficial disponibiliza o jogo em PDF para você imprimir o seu próprio deck. Por fim, por causa da licença aberta, há traduções em várias línguas, inclusive português.


Cardcast requer que você tenha um Chromecast, e isso limita sua popularidade. A aplicação está disponível gratuitamente na Google Play Store, para dispositivos Android. Uma versão para IOS ainda está sendo desenvolvida. Assim sendo, o arranjo básico é: uma TV com Chromecast, fazendo o papel de "mesa", um celular ou tablet Android (por enquanto) para cada jogador, onde ficam as cartas individuais.


Mecânica

O jogo brilha em sua simplicidade, e as partidas são tão boas quanto o nível de demência dos participantes. Podem jogar de 3 a 10 pessoas, quanto mais gente, mais interessante fica. A cada rodada o jogo seleciona aleatoriamente uma frase com lacunas, por exemplo "No próximo Natal, o Papai Noel vai dar ____________ para a criança que não se comportar.". Cada jogador tem em mãos 10 cartas brancas, com expressões que podem ser usadas para completar a frase. O jogador deve escolher a resposta que julgar mais interessante dentre as 10 opções; por exemplo, "cheiro de pessoa velha".


Um participante diferente é eleito "juiz" a cada rodada, e seu papel é ler em voz alta as respostas dadas por todos os participantes (sem saber de quem veio) e eleger a sua favorita. O autor da melhor resposta ganha um ponto, os jogadores ganham novas cartas para completar 10, um novo juiz é eleito e o ciclo se repete. Não é estipulado um limite de pontos, vale o que for combinado por todos.

O truque é que tanto as frases com lacunas quanto as expressões possíveis descambam fortemente para o politicamente incorreto. Abundam referências a sexo, violência, racismo e nojeira em geral. Assim sendo, é imprescindível jogar com um grupo de pessoas de mente aberta. Se o grupo está ali apenas para se divertir com as bizarrices que surgem no decorrer do jogo, a diversão é garantida.

Os dispositivos todos (chromecast, celulares, tablets) precisam estar na mesma rede Wi-Fi. O jogo oferece todas as expansões do Cards Agains Humanity físico. Há também a possibilidade de se customizar decks com as bizarrices que o grupo achar mais interessantes. Por conta da liberdade de customização, o deck principal de CAH está disponível em português brasileiro no Cardcast, o que garante que ninguém precisa ficar de fora. Por outro lado, se o grupo tiver um conhecimento bom de inglês, não há limites para a idiotice, pois há dezenas de decks diferentes que podem ser combinados numa mesma partida.


Ambientação

O jogo adota uma arte bem enxuta. A "mesa" tem uma textura imitando metal escovado, onde aparecem as frases e os nomes dos jogadores. As cartas são apenas quadrados brancos com expressões escritas. Não há trilha sonora. O foco está exclusivamente na própria experiência, sem qualquer tipo de distração.

Opinião

A despeito de qualquer crítica que venha a seguir, afirmo categoricamente que Cardcast é o melhor party game dos últimos anos. Várias das bizarrices vistas no jogo viraram piadas internas em meus grupos de amigos.

Isso posto, Cardcast tem uma porção de pontos fracos. O primeiro é a dependência de um Chromecast e dispositivos Android. O Chromecast mal engatinha no Brasil, estando restrito principalmente aos círculos dos profissionais de tecnologia. Se você está na dúvida entre comprar ou não, a possibilidade de se jogar Cardcast é um excelente critério. Além disso, o aparelho atende a várias outras demandas, e deve ter um post dedicado em breve aqui no blog.

Já os amigos que possuem iPhone ou iPad às vezes atrapalham um pouco a brincadeira. Fica a torcida para que saia logo a versão para IOS.

A conexão entre os dispositivos falha com alguma frequência. Não chega a arruinar o jogo, pois o "tabuleiro" se mantém íntegro enquanto as conexões são reestabelecidas. Não deixa de irritar, mas normalmente tudo se normaliza em um minuto ou dois. Difícil saber se isso é uma limitação do jogo, do Chromecast ou do roteador Wi-fi.



Por fim, em seu estado atual, o jogo ainda tem grande dependência de bons conhecimentos de inglês. Existem cartas em português, mas são uma pequena fração da vasta variedade do se encontra na língua de origem. E mesmo com um grupo fluente em inglês, há algumas cartas "ruins de usar", tais como nomes de celebridades internacionais ou referências culturais norte-americanas. Neste ponto, fica o incentivo a explorar um pouco o editor de cartas do produto, acessível a partir do site oficial. De repente algumas almas bondosas se dispõem a criar conteúdo de qualidade para a comunidade brazuca...

Se a sua turma atende aos requisitos para jogar Cardcast, jogue! É uma experiência excelente e sem similares. E a cerveja é bem vinda!

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