sexta-feira, 5 de setembro de 2014

[Review] Sobrenatural





A volta dos que não foram...


Não, não confunda com a série homônima. Apesar de ter o mesmo título em português, o filme Sobrenatural (EUA, 2010, "Insidous") não tem nada em comum com a série de TV sobre os irmãos caçadores de demônios. Neste, o diretor James Wan de Jogos Mortais (SAW, 2004) e os responsáveis por Atividade Paranormal (Paranormal Activity, 2007), Jason Blum, Steven Schneider e Oren Peli se unem para construir um clima amedrontador sobre a base de uma boa estória.

Ficha técnica


Título Original: Insidious
País: EUA
Ano: 2010
Direção: James Wan
Roteiro: Chad Hayes, Carey W. Hayes
Elenco: 
Elenco: Patrick Wilson, Leigh Whannell, Rose Byrne, Lin Shaye, Ty Simpkins
Pontos positivos
+ Sequências aterrorizantes
+ Enredo
Pontos negativos
- Caça fantasmas
- Excesso de exposição
- Além mundo sem graça




Enredo


Ainda que pareça ser mais uma estória sobre uma casa mal assombrada, o tema não é exatamente este. Ao mudar-se para uma casa nova, o jovem casal Josh (Patrick Wilson) e Renai (Rose Byrne) e seus três filhos são assolados por um inesperado drama familiar.
Seu filho mais velho, Dalton (Ty Simpkins) simplesmente não acorda de uma noite de sono. Os médicos, de mãos atadas, não sabem dizer o que houve com ele. E acabam liberando o menino, mesmo em coma, para viver na casa dos pais sob os cuidados da mãe em seu quarto.



A partir daí, diversos fatos estranhíssimos começam a acontecer na casa. A mãe aterrorizada convence o marido e a família se muda para um novo lar. Ela não demora muito para perceber que o problema não era a casa, pois os mesmos acontecimentos estranhos continuaram após a mudança.
Aos poucos, eles se dão conta que há algo de errado com o seu filho. E nesse sentido, fixa-se o pretexto básico do filme, que é a capacidade que algumas pessoas possuem de sair do corpo enquanto dormem. Estando neste estado, as que se distanciam demais acabam ficando vulneráveis a espíritos mal intencionados e não conseguem voltar ao seu corpo.
Em certo momento descobre-se que o pai do garoto sofreu com isso na infância e que ele tem a mesma habilidade. Então, mais ao fim o pai tenta buscar o seu filho em uma viagem ao além.

Produção


A começar pelo título em português, devo dizer que nunca gostei das traduções estranhas que os títulos cinematográficos ganham quando chegam no Brasil. "Sobrenatural" só se faz confundir com a série homônima "Supernatural", além de dizer pouco sobre a obra. A língua portuguesa é rica o suficiente para usar um termo tão enfadonho. Não é difícil achar sinônimos melhores ao tão pouco comercial "insidioso" que é a tradução literal do título original. "Traiçoeiro" por si só já resolveria bem esta questão.

De um modo geral a produção é boa, pecando apenas nas tomadas onde é mostrado o além mundo. Os efeitos sobrenaturais quando não exagerados são excelentes.

Falando em além mundo, a impressão que dá é que outra equipe foi responsável por fazê-la. O trash e o brega entram em ação com figurinos exagerados e maquiagens detestáveis. Da casa mal assombrada mostrada nesta outra dimensão só se aproveita a significativa porta vermelha. Gostaria que esta visão parasse por ali mesmo.



Já no áudio, o filme se aproveita bem dos sistemas de som, em certo momentos até demais, criando diversos sustos baratos apenas com efeitos sonoros. Isso seria um defeito se o conjunto da obra não criasse uma atmosfera terrificante. Felizmente ele faz isso de forma competente em sua parte inicial.

Opinião


Sobrenatural começa bem, apesar de todos os clichês envolvidos, como a mudança para uma casa nova entre outros, a surpresa começa por onde menos se espera: que é o não retorno de uma noite de sono do filho do casal Josh e Renai.




Até metade de Sobrenatural, que é a fase de sugestão, a atmosfera é arrasadora. Até mesmo quando surge um equipe de caça fantasmas que descamba pra um lado nada bom. Piadas sem graça e esteriótipos toscos desanimam o espectador. Pelo menos Elise(Lin Shaye), a sensitiva do trio salva o restante da equipe da zorra total.




Deixando esses "detalhes" de lado, Sobrenatural se desenvolve bem. O clima de medo varre o ambiente até que surgem os primeiros fantasmas.

Tenho uma opinião muito forte sobre os filmes desse tipo que "mostram demais". Sejam eles alienígenas, demônio ou fantasmas. O ponto alto do gênero de suspense é justamente não saber o que está lá. Esse clima de sugestão e desconhecido por si só já é aterrorizante. Pouquíssimo são os casos em que o que é mostrado funciona de fato. O que se vê em "Insidious" é algo no mínimo estapafúrdio. Percebe-se algo que tenha saído diretamente de "Beetlejuice" (Os fantasmas se divertem, 1988), porém esse, é uma comédia. Este clima trash não parece ter lugar neste trabalho, pois apesar de encaixar na história perde-se todo o clima terrificante da trilha.
O longa poderia se contentar com as excelentes descrições dos monstros que aterrorizam o menino. Como a cena em que é desenhado o demônio do rosto de fogo no teto pelos caçadores de fantasmas.



Infelizmente a obra não se perde apenas nos espíritos, mas sim em toda encenação do além mundo. Esperava-se muito mais do que a casa mal assombrada com a demônio prendendo o garoto em correntes que abrem apenas com a mão. Sem contar as lutas físicas entre mortos e vivos que parecem surreais demais para a trilha.



Entretanto, mesmo com esses defeitos, Sobrenatural funciona bem no que se propõe a fazer, que é causar medo com uma estória interessante e fugindo do lugar comum.
Vale avisar que os problemas nos "fantasmas" são minimizados ao assistir o segundo, portanto assistam a continuação.

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