sexta-feira, 10 de outubro de 2014

[Review] HammerWatch


Uma dose saudável de nostalgia



Gênero: Ação
Dev: Jochum Skoglund, Niklas Myrberg
Publisher: Crackshell
Lançamento: 12 de Agosto de 2013
Semelhante a: Gauntlet
Pontos positivos
+ Apelo à nostalgia
+ Multiplayer muito divertido
Pontos negativos
- Fica monótodo depois de um tempo

HammerWatch é um tributo aos jogos da série Gauntlet (que teve um remake lançado em setembro). Foram adicionados vários elementos interessantes, mas a fórmula básica permanece a mesma. Ainda que seja um pouco repetitivo, é bem divertido para se jogar com os amigos em volta da TV.

Atenção! Por uma feliz coincidência, o jogo entrou em promoção no Steam na publicação deste artigo! O desconto é válido até a tarde de sábado, 11/10.




História

Este não é o tipo de jogo que precisa de um enredo. Trata-se de um bando de aventureiros que precisa atravessar os andares de um castelo cheio de monstros porque... isso é o que aventureiros fazem. Há uma rápida menção a uma ponte partida no início da campanha, e só. Esta provavelmente foi uma decisão sábia, pois funciona melhor do que tentar forçar alguma história fraca em modo texto num jogo que se ancora totalmente em mecânica.


Mecânica

O fundamento da mecânica de HammerWatch é matar os monstros, pegar o tesouro. O jogo é visto de cima, cada jogador tem uma barra de vida, outra de magia (MP). São seis classes de personagem pra se escolher: Paladin, Wizard, Ranger, Warlock, Thief e Priest. Cada classe tem um ataque comum e um ataque especial, limitado pelo MP do personagem.

O tesouro coletado pode ser gasto com alguns vendedores espalhados pelo mapa, para se comprar melhorias para o personagem: maior ataque, maior defesa, magias que vão mais longe, etc. Essa evolução é bastante simples, mas fornece alguma variedade à experiência.


As fases de bônus são um toque especial, que demonstra o apreço dos desenvolvedores pela série Gauntlet. A arte, a disposição dos monstros, as plataformas que abrem portas, tudo lembra o clássico dos anos 80.

O título oferece um complexo editor de fases, que dá aos mais criativos uma grande liberdade de criar seus próprios calabouços. Some-se a isso o suporte ao Steam Workshop, com uma grande comunidade criando conteúdo ativamente:as possibilidades se tornam infinitas.


Como comprei HammerWatch recentemente (num humble bundle), minha cópia já inclui a "expansão" Temple of the Sun. Trata-se de um mapa no deserto, com novos inimigos, e que é oferecido gratuitamente na compra.

Ambientação

A arte remete diretamente aos títulos 8 bits, mas com vários toques de capricho. Há sombras projetadas nas paredes e os tesouros brilham. O jogo se refere a esses efeitos pelos nomes que eles têm nos jogos complexos em 3d: soft shadows, ambient occlusion, bloom, etc. Há inclusive um conjunto de configurações para fazer a tela parecer uma televisão antiga. Tem um forte apelo ao senso de nostalgia, mas pode irritar os olhos depois de um tempo.

Os cenários são um pouco limitados. Embora a arte 2d seja bem feita, não há muito que se possa fazer com a temática "calabouço com monstros". Isso não chega a ser um problema, mas contribui para uma certa sensação de monotonia. Porém, a liberdade oferecida pelo editor de fases e pelo Steam Workshop agrega bastante variedade.


A trilha sonora é sensacional, e tem uma boa mistura de chiptune com elementos mais modernos. Ela pode ser obtida gratuitamente no fórum oficial do jogo. Tenho cópias em meus dispositivos e gosto bastante de ouví-la de vez em quando. Já os efeitos sonoros são adequados ao contexto retrô do jogo, mas não têm nada de muito especial.

Opinião

Antes de tudo, uma dica. Minha primeira experiência com o jogo foi bem frustrante, pois joguei no teclado e os comandos obedeciam mal. Minha recomendação fortíssima é para que o jogador use joystick, habilite a opção que possibilita atacar em 360 graus (e não só em 8 direções) e aprenda a usar os botões que servem para andar de lado e para atacar sem se mexer. Só após fazer isso consegui mergulhar na experiência de HammerWatch com vontade. Talvez tenha sido um descuido dos desenvolvedores, ou talvez eu não seja tão hardcore quanto eles gostariam.

HammerWatch apostou numa mecânica simples e funcional, aliada a um profundo senso de nostalgia. Nisso acertou em cheio. Não é algo pra se jogar por vários meses, mas sim para se experimentar as possibilidades em partidas mais curtas.


O jogo é sensacional para juntar os amigos. Aqueles que jogaram o Gauntlet original, ou que frequentaram fliperamas nos anos 80 e 90 serão acolhidos pela nostalgia. E os comandos são diretos o suficiente também para se jogar, por exemplo, com um irmão mais novo ou com a esposa que gosta de jogos casuais no celular, mas não tem o hábito de controles complexos. Quando se joga em single player, no entanto, o ritmo diminui drasticamente, e a experiência fica mais enjoativa. Por isso, recomenda-se fortemente o multiplayer, mesmo que com estranhos online.

HammerWatch é "um jogo gostoso de jogar", ainda que limitado pelos padrões de hoje. Com um preço bem simpático, merece um espaço na coleção dos gamers mais saudosistas.




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