sexta-feira, 21 de novembro de 2014

[Review] Transcendence - A Revolução

Lembra do Passageiro do Futuro?

Transcendence - A Revolução (EUA, 2014, "Transcendence") aborda um dos mais interessantes cenários de catástrofe da ciência. O filme conta com um elenco de primeiríssima e excelentes efeitos epeciais. É um prato cheio para quem gosta de ficção cientítica, embora seja prejudicado por alguns pontos fracos.


Ficha técnica


Título Original: Transcendence
País: EUA
Ano: 2014
Diretor: Wally Pfister
Roteirista: Jack Paglen

Elenco: Johnny Depp, Rebecca Hall, Morgan Freeman
Pontos positivos
+ Ficção imersiva
+ Atuação excelente
Pontos negativos
- Algumas fragilidades no roteiro


Enredo

O enredo gira em torno do casal Will e Evelyn Caster, pesquisadores do ramo da computação, e seus colegas de profissão. Os Caster são celebridades da tecnologia e estão à beira de um passo revolucionário no campo da inteligência artificial. Ocorre que o Doutor Caster sofre um atentado por parte de uma organização anti-tecnologia e recebe dos médicos a notícia de que tem poucas semanas de vida.

Em um esforço desesperado, a esposa Evelyn e o amigo Max Waters (Paul Bettany) utilizam a pesquisa de um outro cientista para transferir os padrões cerebrais de Will para um supercomputador quântico antes de sua morte. A entidade resultante é um híbrido da personalidade de Caster com recursos computacionais imensos.

Esta nova forma de consicência passa a se espalhar por dispositivos eletrônicos em todo o planeta, acumulando informação e poder. A história então passa a tratar da revolução movida por essa entidade, que sozinha desenvolve avanços tecnológicos além dos sonhos mais absurdos da humanidade, em oposto à organização ultraconservadora que atacou o Doutor Caster ainda em vida. Em paralelo se desenrola o drama de seu lado humano, ainda apaixonado por Evelyn.

Produção

Transcendence conta com um alto orçamento e elenco igualmente impressionante. Como resultado, a caracterização dos personagens é ótima e sem falhas perceptíveis. O Doutor Will Caster é um típico personagem de Johnny Depp, e aparenta estar sempre desconectado da realidade. Sua interpretação é bastante interessante, tanto em vida quanto na forma das incontáveis telas que exibem o "Will digital" em diversas formas ao longo do roteiro. Destaque também para o personagem de Morgan Freeman (também um típico Morgan Freeman) que serve de referência de razão conforme a trama se direciona ao caos.


Os efeitos especiais são excelentes, mas há um limite do que pode ser dito sem dar spoilers. Basta dizer que a tecnologia inacreditável desenvolvida pelo supercomputador-Caster enchem os olhos e trazem um certo senso de maravilha. Há tomadas bastante interessantes do complexo criado por Caster e suas infinitas fileiras de painéis solares. Há um design consistente que permeia o interior da instalação, que em muito lembra o minimalismo da Apple. A trilha sonora é bem feita, mas não oferece temas memoráveis.


Opinião

Por conta dos temas abordados, o filme fascina primeiramente o público interessado em tecnologia. Quem já tem familiaridade com o tema "singularidade tecnológica" (máquinas superinteligentes capazes de melhorar a si mesmas exponencialmente) encontra aqui algo para cravar os dentes. Há alguns momentos em que o filme peca por "viajar muito longe" na tecnologia, ou oferecer explicações esdrúxulas para alguns fenômenos. Mas esse é o tipo de ponto fraco que perturbará mais o nerd fanático do que o espectador comum.

Os temas paralelos (a saber: o conflito com a organização anti-tecnologia e o romance com a Doutora Caster) parecem estar ali para aliviar um pouco o peso da ficção pesada, fazendo o filme mais palatável para o público em geral. Há alguns momentos muito interessantes vindos desses momentos. No entanto, em particular o romance parece estar muito fora de lugar.


É muito interessante como o supercomputador-Caster sempre fica entre o papel de mocinho e de vilão ao longo de todo o filme. O avanço tecnológico desenfreado por vezes parece que resolverá todos os problemas da humanidade, mas por outras parece violar a definição dessa mesma humanidade. Este ponto do roteiro é o que mais mantém o espectador preso, e é também o que provoca interessantes reflexões ao final do filme.

É possível estabelecer um paralelo interessante com a obra "O Passageiro do Futuro" (EUA, 1992, "The Lawnmower Man"). Enquanto o filme de 92 fala da transferência da essência de uma pessoa para um computador, e em seguida para o mundo, Transcendence parece pegar o gancho deixado e levá-lo a distantes consequências. Para mim, o filme de 2014 preenche uma lacuna de curiosidade mórbida deixada em 1992.

Lawnmower Man, de 1992

Embora não tenha lucrado muito e tenha sido duramente criticado, Transcendence merece a atenção de todo entusiasta de ficção científica. A despeito de alguns pontos fracos e algumas quebras de ritmo, o filme mexe um pouco com o vilão em todos nós, que gostaria de ver qual será o fim daquela catástrofe, mesmo que às custas da própria humanidade.

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